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sexta-feira, 25 de março de 2011

A INFLUÊNCIA DO CINEMA NA MANEIRA DE SE VESTIR

Há quem diga que a arte, no geral, influencia a opinião das pessoas. E está certo. Começando pela música, que pode mudar uma ideologia; as obras literárias, que espalham conhecimento fazendo com que o consumidor construa sua opinião baseado nas mesmas; a TV, um pouco mais que as outras por agir em um meio de massa, e por fim, não menos importante, o Cinema. O Cinema, com a sua maneira de fazer a arte parecer realidade, cria na mente dos telespectadores vários tipos de conceitos. Ele acaba criando algo para ser consumido e não é mais só um espetáculo, algo para ser apreciado.

A princípio o Cinema servia para contar histórias de uma maneira mais interativa do que o livro, já que não necessitava de imaginação e era necessária apenas a visão. Com a revolução da tecnologia, fazendo gráficos mais modernos e praticamente reais na era 3D, há quem se interesse por filmes apenas por sua beleza e não tanto pelo enredo. Um verdadeiro desfile de moda. Segundo o texto de Mario Mendes, na Folha de São Paulo, “enquanto estilistas bebem na fonte de Hollywood e adjacências para turbinar suas passarelas, filmes visitam os salões da moda para contar suas histórias.”.

A moda começou mais ou menos assim. Primeiro com a função de só cobrir as pessoas; depois para diferenciar os nobres dos plebeus e ao longo dos anos foi transformando-se em sinônimo de personalidade. A roupa passou a ser uma forma de expressão do que se gosta, do que se acredita, do que se faz sentir bem.

            Tanto a moda quanto o cinema caminham juntos com uma promessa básica ao consumidor: felicidade. No cinema, caracterizado pelas histórias que gostaríamos de viver e na moda pela maneira que gostaríamos de nos vestir, de parecer ao sexo oposto, e o conceito que parece transmitir é que se não comprarmos aquelas roupas e usarmos daquela maneira não teremos um final feliz. Os filmes são cheio de signos, significados que entram no subconsciente do consumidor do mesmo modo que a propaganda faz. O papel do figurinista em um filme é dar identidade ao personagem, reafirmando mais uma vez que a moda pode responder, pelo menos em uma primeira impressão, quem você é. O público identifica-se com os personagens, compartilha sentimentos e anseios, experiências que viveram ou que desejam viver um dia. E vestir-se de acordo com determinado ator no filme pode representar não somente que possui as mesmas características, personalidade ou ideologia dele, como também pode significar o simples desejo de possuir esses atributos ou ser visto como este mesmo personagem é visto.

            Essa influência já acontecia nas décadas anteriores mesmo sem a modernidade e tecnologia que temos atualmente. O público criava (e cria) ídolos como, por exemplo, Audrey Hepburn, que revolucionou a moda com seus filmes e depois estreou em algumas campanhas, mas é considerada ícone de elegância no mundo inteiro. Nos anos 50, Marilyn Monroe se transforma em outro ícone, de beleza e sensualidade que logo será contada no Cinema com seu longa “Uma Semana Com Marlyn”.

            O filme “O Diabo Veste Prada” também foi muito comentado pela mídia. A história conta sobre uma jornalista que começa a trabalhar na revista mais conceituada sobre moda, a Vogue. E então, ao longo dos dias, transforma seu visual radicalmente para ficar de acordo com sua chefe e seu trabalho. As pessoas imediatamente se identificam com a personagem de classe média, recém formada, querendo alcançar realização profissional. Afinal é o que todos queremos! E o que o filme nos trás como solução é que para alcançar o topo no trabalho é preciso se render às marcas como Chanel, Prada e Dior. Simples assim. Não são somente as roupas, cortes de cabelo também entram na lista de mudanças. Isso acontece porque o Cinema cria uma identificação imaginária com os personagens que acaba se misturando com o real, devido à cultura semelhante (em alguns casos), por exemplo, e também a ansiedade do público por novidades.

          O Cinema brasileiro, mesmo envolvendo temas bem diferentes dos americanos em seu enredo, teve influencia na moda com o filme lançado ano passado “Tropa de Elite 2”. Um grande público carioca carnavalesco comprou fantasias referentes ao uniforme utilizado pelo “BOPE” Batalhão de Operações Especiais, vendidos por vendedores ambulantes. O público, por um processo de identificação com os personagens do filme, comprou a cópia do uniforme. Acontece o mesmo processo de identificação citado acima, onde idealizamos o personagem ou o ator em um filme onde o mesmo tem uma moral, uma autoridade, uma imagem de herói e queremos nos sentir assim do modo que podemos, ou seja, utilizando as roupas e acessórios que ele também utiliza. Queremos ter algo em comum. Queremos estar por dentro da moda e das tendências do momento. Relacionando o Cinema com a moda ficamos atualizados com as novas tendências que acontece no mundo em diferentes ambientes sócio-culturais.

No quesito propaganda, o investimento da verba em eventos como São Paulo Fashion Week é enorme e só vem crescendo, fazendo assim os anunciantes aproveitarem o espaço como se a moda fosse uma nova mídia. No cinema os comerciais têm um pequeno alcance porque atinge somente as pessoas presentes na sala, sem restrição de público. Por isso, é utilizado mais em forma de merchandising, que reforça mais uma vez a influência de uma celebridade usando tal produto ou tal roupa que esteja na moda. O cinema e a moda são tendências que só tem potencial para crescer, já que são meios novos de mídia, que podem atingir novos públicos de formas diferentes e serem igualmente influenciadores.

 Aimeê Canto Neres
Camila Beatriz Ferreira
Nelson Nakata

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