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sábado, 2 de abril de 2011

Vírus Cultural

Lazer e Entretenimento – Como um ambiente cultural pode ser transformado em lazer

Como de costume a jovem entra no mesmo ônibus, no mesmo horário e na companhia das mesmas pessoas. Em suas mãos, a garota leva o jornal do dia e inicia sua leitura ali, em volta dos desconhecidos e percorrendo a viagem turbulenta. Sua presença passa despercebida para alguns, mas influencia dois passageiros. Em algumas semanas, essas duas pessoas que, rotineiramente, também entram no mesmo ônibus, no mesmo horário, na companhia das mesmas pessoas, passam a portar em suas mãos o jornal do dia e iniciam ali a leitura.

 É fácil notar: a Cultura é contagiosa, ataca de maneira subliminar ou escancarada e beneficia a saúde mental de qualquer um. A melhor forma de se entender este conceito é olhar ao nosso redor, afinal, cultura é onipresente, está em livros, jornais, filmes, peças teatrais, reuniões entre amigos e até filas de banco. Uma ação cultural consiste simplesmente na relação de um indivíduo com o mundo.

            Infelizmente, nossa sociedade possui diversos paradigmas. Muitos acreditam que cultura é “chata, cara, ultrapassada e demorada”, desculpas equivocadas que barram o desenvolvimento cultural e podem ser combatidas pelo conhecimento, já que um simples clique, por exemplo, é um passo que aproxima o homem do saber.

 E não por acaso - sabendo que o compartilhamento de informação é uma tendência na atualidade - os formuladores tecnológicos estão sempre à procura de novos aplicativos que facilitem a criação de redes que socializem os indivíduos, ou seja, a cultura se adapta de acordo com o cenário onde está inserida.

Aliás, falar sobre tecnologia merece um espaço considerável. O que dizer sobre blogs, lastfm, youtube, myspace, twitter e outras infinitas redes online? Até as estrelas se aproximam através de ferramentas como o Google Sky. E então não há limite, o homem pode provar a realidade em um mesmo local e suprimir as informações que considera relevantes em um mesmo lugar.

Porém nem tudo são flores, afinal, esta explosão de informação cria um problema cultural: a solidão. É irônico, mas a vontade de ser uma pessoa virtualmente popular pode ter em contrapartida uma realidade conturbada. Um internauta não precisa ser caracterizado, ele é o que pensa e o que divulga, sua popularidade independe de estereótipos. Além disso, alguns são tão virtualizados, que tornam-se escravos da tecnologia, deixando de lado o contato físico. Mas isto não é regra, apesar de todos estes atrativos, os ambientes culturais não perdem seu espaço: o homem precisa fazer parte de um grupo social e trocar experiências, e é neste momento que a moda entra em cena.
            A moda é um ponto a favor da cultura. Hoje, estar antenado às novidades, ser o primeiro a saber e a divulgar, são hábitos cada vez mais presentes nos círculos sociais, motivando assim as pessoas a possuírem determinados hábitos para sentirem-se socializadas. Um exemplo disso são os virais, vídeos normalmente curtos e engraçados disponibilizados na web. Toda semana são criados novos jargões que invadem os grupos sociais e viram febre no mundo real.

Entretanto, talvez a maneira mais sábia de instigar a percepção da cultura seja o bom exemplo. O homem é um ser social e depende de relações pessoais para desenvolver seu próprio repertório intelectual, espelhar-se no outro é algo corriqueiro e sua aplicação no universo cultural é óbvio. Se os pais ensinam o filho a ler e a gostar de ler, por exemplo, este hábito apresentado na infância, torna-se essencial na fase adulta.

Então voltamos à historinha do começo deste discurso: ver alguém comum, lendo um jornal em um lugar incomum pode se tornar normal. Parece uma frase contraditória, mas é seguro ter a companhia de alguém para compartilhar determinada atitude, é como um incentivo no estilo “se ele consegue, eu também consigo”.

Agora, quanto ao que é certo ou errado, é bom lembrar que não há receita para tornar culto um indivíduo, nem uma seleção de atitudes consideradas culturais, pelo contrário. Cultura é algo construído espontaneamente, sem regras, sem preconceitos e com muita experimentação. Por este motivo, para possuir o título de “pessoa culta”, basta apenas que se abra os olhos para o mundo.

Acadêmicas: Mariana Corazza e Mariana Simas
Curso: Comunicação Social - Publicidade e Propaganda
Disciplina: Tendências da Publicidade

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