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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Sinceramente, o que a sinceridade tem a ver com o consumo?


Texto de José Antônio Piné

Até que ponto uma marca que assume sua fragilidade ou um problema em seu produto ou serviço realmente é diferente de uma outra marca que tenta ocultar seus erros?

Até que ponto uma marca pode prometer uma expectativa no consumidor mesmo sabendo que a verdade está mascarada por fatores estéticos e emocionais? 



            Lembro-me da minha infância, de ser um apaixonado por carros e revistas automobilísticas como a quatro rodas, de ir no supermercado com minha mãe na compra do mês. E eu ia junto ao supermercado só para ganhar a revista. Naquela época, nos anos 80, se fazia uma compra gigante uma vez por mês por causa da inflação. Sabia até a hora de fazer a chantagem emocional, na hora do caixa, e minha mãe também já estava preparada para o meu jogo. Às vezes, ela não comprava a revista por causa do preço que era muito alto. Eu não queria saber de Disney ou turma da Mônica, queria era saber de Quatro Rodas.
            Sabia o nome de todos os carros brasileiros, motores, designações tipo XLS, GTS, SR, etc, o porquê de cada uma destas letras, mas nunca entendia porque cada letra desta, quanto mais exclusiva fosse, mais caro tornava o modelo, mesmo que este só mudasse a cor do banco ou tivesse uma faixa exclusiva na lateral da porta.
            A minha primeira decepção como adulto consumidor no Brasil foi o fato de nunca ter dinheiro para comprar um Porsche modelo 911, e descobrir que eles valem menos que nós pagamos em nossos carros médios aqui no Brasil, se morássemos lá fora.
            Por exemplo, se quisermos comprar um Porsche boxter ano 2005, nos EUA, preto, impecável, sem amassados e arranhões, praticamente carro de colecionador, ele sai por volta 20 mil dólares. Não acredita? Olha no Ebay. Mas, conselho de amigo, pare por aí, se não quiser ficar decepcionado com seu novo carro comprado com as taxas de juros do Banco do Brasil que você considera o melhor negócio da sua vida.
            Os preços que pagamos lá fora nos carros de nossos sonhos, aqui estes mesmo carros são realidades para poucos seres humanos. Pensando bem, estes seres humanos que tem este dinheiro para comprar estes carros aqui no Brasil são pessoas que não sabem gastar o dinheiro que tem, ou são loucos mesmo, tamanha a desproporção de valores de algumas marcas aqui e no exterior. Me pergunto que tipo de administradores financeiros são estes consumidores brasileiros?
            Pior é quem não tem escolha mesmo aqui no Brasil, a grande maioria da população, e tem que se contentar com carros nacionais que já nascem com cara de ultrapassado, pagando preços fora da realidade mundial. A culpa não é só das montadoras nacionais. O processo é muito mais complexo, mas a sociedade não tem poder de voz diante do que circula em nossos mãos por aqui.
            A minha segunda decepção como consumidor foi descobrir que o conteúdo da minha revista preferida na minha infância era toda mentirosa, falando que aqueles carros que se chamavam uno, santana, escort, caravan, prêmio, etc, eram carros excepcionais, de alta tecnologia, etc. Tudo piada. Se hoje dirigimos carros ruins e caros no Brasil, nosso país em 2012 possui 16 fábricas de automóveis e uma economia aberta, imagina na década de 80 quando tínhamos uma economia fechada e 4 fábricas automotivas.
            Agora, dentro de toda esta ilusão do garoto, uma coisa eu admito: a FIAT nunca negou que faz carros ruins. Tanto é que o bordão popular FIAT: Fui Iludido Agora é Tarde, foi por muitos anos a imagem dos 147 que hoje valem mais que um porsche usado no exterior, na mão de colecionadores brasileiros.
            E quem diria, hoje a FIAT vende mais carros que qualquer outra marca no Brasil, um dos maiores mercados de automóveis do mundo, e seus carros nunca mudaram muito, sempre foram ousados no designer, plastificados ao extremo no acabamento e suspeitos na durabilidade mecânica. Mas sempre foram carros “baratos”, e que nunca mentiram para nós que eram uma mercedes, uma bmw, um audi, um porsche, etc. Eles sempre foram italianos, carros nervosos e explosivos, entendam como quiser esta última palavra.
            Depois de eu comprar um “honda” num país estrangeiro, descobri porque as marcas de carros japoneses são os únicos automóveis velhos que circulam nas ruas e estradas americanas, e porque estes carros são sinônimos de durabilidade para o mercado americano, por mais que eles, os americanos, se incomodem com isso, a maior e mais competitiva economia automobilística do mundo. A verdade é que carro japonês não quebra nunca. Só pára de rodar quando o dono enjoa dele.
            E os japoneses sabem disso, lutaram por isso, e usam isso como seu grande triunfo. Tanto é que os coreanos, com sua revolucionária indústria automobilística atual, compara cada um dos seus produtos e lançamentos com os famosos carros japoneses que dominam o mercado mundial por décadas.
            O dia que o Brasil tiver uma cultura de os consumidores reclamarem das coisas que compramos, acho que deixaremos de ser ingênuos e questionaremos o preço e o produto que realmente temos em mãos. Falta informação ou falta experiência?
            Flawsome, a mistura na língua inglesa da palavra defeito com a palavra maravilhoso, um dia terá aqui no Brasil a força que possui como tendência nas economias maduras de consumo. Um lugar no meio virtual aonde o consumidor "descasca" as marcas que enganam, e se apaixonam pelas marcas que são sinceras.
            Você realmente acha que um porsche é um carro confortável como um volvo? Claro que não, mas eles não te prometeram isso na venda. Olhe o último comercial da marca no youtube, e talvez um dia você irá querer ter um porsche também, nem que seja daqui a mais ou menos 20 anos.
            Você acha que realmente as pessoas compram uma Harley Davidson porque ela é uma moto excepcional ou realmente compram ela por paixão pela marca? Provavelmente ninguém sóbrio e sem coração iria comprar uma moto em formato de gaiola que tem um som similar a "potato, potato, potato" quando ligada.
            Não sou eu que inventei isso. Quem disse isso foi um dos proprietários da marca para um documentário no programa Mundo S/A da Globo News. Agora por que brasileiro compra FIAT tendo tantas opções? 
            Uma verdade seja dita, marcas que são sinceras, as pessoas nunca irão demonizar. Ninguém é perfeito neste mundo, muito menos as máquinas. E quem sabe usar estes defeitos como um objetivo a ser superado sempre será respeitado por este consumidor irracional e emocional que nós todos somos.
             Ou você acha que existe alguma lógica no consumo? Na verdade, sempre tive uma paixão secreta por um FIAT uno 1.5R amarelo que um vizinho meu tinha na minha infância.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O Excesso de Informação Causa Aminésia


Resenha da matéria publicada na revista Época de janeiro de 2012, entrevista feita à Umberto Eco, intitulada: ‘Umberto Eco: ”O excess de informação provoca amnesia”’.



            O intelectual e romancista Umberto Eco, 80 anos, em sua mais recente obra de 2010, O cemitério de Praga, mantém seu carácter polêmico de escrita, característica já presente desde o  início de sua carreira, no ano de 1962. O seu novo trabalho, por se tratar de um tema muito polêmico, o surgimento do anti-semitismo, foi criticado pelos Igreja Católica e pelos grupos judaicos de Roma. De um lado os católicos não gostarem de terem os jesuítas satirizados ("são maçons de saia"), e do outro os judaístas terem receio das menções do romance ao Protocolo dos sábios de Sião, que poderiam gerar uma onda de ódio aos judeus.
         Entre as obras famosas do autor estão O nome da Rosa (1980), o pêndulo de Foucault (1988), A ilha do dia anterior (1994) e Baudolino (2000) e a Misteriosa chama da rainha Loana (2004).
         Em entrevista a revista Época de janeiro de 2012, Eco comentou sobre temas como idade, ele iria completar 80 anos naquele mês, o livro de papel que ele continua sendo um dos maiores defensores, a internet, o conhecimento on-line, literatura, e sobre o seu mais recente romance, O cemitério de Praga. Nas horas de folga, o autor costuma colecionar livros e ouvir música pela internet.
        Para Umberto Eco, a internet é uma forma de desaprendizado, e o excesso de informação sem hierarquia se torna um problema para o internauta, mais perigoso que a desinformação. Segundo o escritor, o universo on-line é um universo selvagem. E conclui com o raciocínio que conhecer é cortar seleccionar, excesso de informação gera amnésia, faz mal. Também cita o fato de a TV, para o bem ou para o mal, sempre ter selecionado o conteúdo para pessoas sem instrução, "os ignorantes". Já a internet não. Umberto Eco sugere as Universidades a elaborarem uma teoria e uma ferramenta de filtragem do conteúdo on-line, que funcione para o bem do conhecimento.
        Sobre a morte da literatura hoje no mundo, como alguns teóricos escrevem, o romancista se mostra um otimista que acredita na existência constante de grandes escritores a serem descobertos. Outro ponto colocado por Umberto Eco é o fato de a arte da literatura ser influenciada pelas crises econômicas, como todas as profissões do mundo capitalista, que acabaria dificultando a independência financeiras dos profissionais. Hoje, países europeus não conseguem ter uma classe de escritores economicamente independentes, mas os Estados Unidos de uma certa forma, ainda possui uma industria capaz de se manter como um polo emissor de conteúdo e profissionalizador dentro deste contexto econômico instável.
        Em outro ponto polêmico de suas opiniões, o romancista defende o não desaparecimento do livro, ou da substituição deste pelo meio digital, o ebook, mesmo tendo o romancista Umberto Eco narrado durante a entrevista para a revista, uma experiência recente com a utilização de um Ipad, em que o aparelho o ajudou muito durante uma viajem de trabalho pelos Estados Unidos. Tema de muita discussão entre amantes do papel e sua cultura de utilização e defensores da alta tecnologia, a substituição do livro pode desencadear uma revolução no setor da mesma forma como aconteceu com a industria fotográfica na década passada. A revista americana Newsweek publicou um estudo comparativo entre a produção da industria tradicional de livros e a industria digital. Os dados são baseados no ano de 2009. Estes números avaliam o custo de produção e o valor de venda de um exemplar em cada formato, quanto em royalty um autor pode ganhar com a produção intelectual, o volume em vendas de um sucesso editorial no formato tradicional e digital, quanto cada editor faturou em cada formato e quanto o planeta foi afetado pela produção destes conteúdos.
            O custo de produção de um livro tradicional é 4,05 dólares por livro para um produto de valor 26 dólares. Na versão on-line, o custo de produção de um livro é 0,50 dólares para um produto de valor 9,99 dólares. Um autor fatura em royalties o valor de 3,90 no formato tradicional e no formato digital 2,12 dólares para os produtos citados anteriormente. No ano de 2009, o faturamento em vendas foi de 249,2 milhões de dólares do formato tradicional foi de 29,3 milhões de dólares no formato digital.  Para se produzir um e-reader, se emite a mesma quantidade de carbono na atmosfera para produzir de 40 a 50 livros.
            No debate que se instaura sobre o assunto na sociedade e nos meios editoriais, autores e empresários se manifestaram com suas defesas a favor ou contra a substituição do livro. Umberto Eco e o escritor Jean-Claude Carrière expuseram suas opiniões no livro chamado Não Contem com o fim dos livros, série de relatos e conversas entre os dois autores, aonde o tema é o livro e a sua importância na vida destes dois escritores.
            O problema encontrado pelos autores Umberto Eco e Jean-Claude Carriere é mais complexo do que simplesmente uma questão de opção entre o passado papel e o atrativo digital das novas tecnologias. Neste momento o que se discute são os próprios conceitos de livro e literatura, que já não parecem mais tão claros diante das novas mídias. o próprio autor de O Nome da Rosa reconhece que, por mais que tenha devorado bibliotecas, é incapaz de devorar a revolução que se anuncia. Uma nova semântica começa a se instaurar através a partir da internet. Os autores começam a trabalhar com o conceito de quarta tela, que seria uma nova ferramenta que se tornaria parte de nossas vidas. As outras três seriam a TV, o computador e o telefone celular.
            O primeiro choque dentro da industria editorial já começa a ser perceptível em novas experiências que começam a ser aplicadas por grandes editoras. Novos formatos digitais para e-books se utilizando de linguagem de HTML criam um produto mais interactivo entre produtores e leitores, podendo ser reescritos por quem os consome. Uma nova experiência interactiva e colaborativa que coloca em questão o conceito de autoria e propriedade intelectual. Com o surgimento do HTML no formato dos Epub, o próprio conceito de livro está em aberto. Seriam livros ou alguma forma  nova, que já é chamada de transmidia, que conviverá em separado com o mercado editorial tradicional, como a televisão adquiriu uma linguagem diferente do cinema?
            Na obra literária "A questão dos livros: passado, presente e futuro", o autor Robert Darnton, relata que o livro também foi parte de uma revolução no passado que desbancou métodos de produção como o dagueorótipo, contrariando seus defensores. Mas as revoluções tem sido cada vez mais rápidas. "Da descoberta da escrita até o códex (formato do livro atual) se passaram 4000 anos. Do códex à tipografia, 1.150 anos. Da tipografia para a internet, 524 anos. Da internet para os mecanismos de busca, 17 anos. Deles para o Google, 7 anos. E quem sabe o que estará ali na esquina ou vindo na próxima onda?"

José Antonio de Souza Piné


http://www.thedailybeast.com/newsweek/2010/08/03/back-story-books-vs-e-books.html

De onde vêm as boas ideias



Nesse vídeo, Steve analisa o processo criativo da humanidade antigamente e faz uma ponte com os tempos atuais, revelando que toda grande ideia tem seu tempo para nascer. O vídeo “De onde vêm as boas ideias?” de Steve Johnson, tem como objetivo repassar a retórica de 5 anos do autor sobre qual pode ser a origem das boas ideias e como elas surgem.

Começa destacando que ter boas ideias é algo importante por uma série de motivos e, analisando e estudando as épocas juntamente com os locais de sucesso percebeu que há um padrão de criação e encubação de uma boa ideia. As ideias nunca chegam totalmente formadas, elas nascem de um palpite, uma retórica, uma hipótese que ao juntar com outra pode se tornar uma grande ideia, isso porque normalmente não se possui noção de todo contexto e ferramentas que possibilitem a criação, quanto menos a utilização desta ideia, por isso, os palpites se unem a outros palpites de modo que se completem para surgir uma solução útil, uma boa ideia.

O autor ainda cita Tim Berners-Lee, com um exemplo de tentativa de criação direta da ideia, porém ele achava que seu experimento não iria dar certo e só depois descobriu que obteve resultado com sucesso.
Há locais que permitem que o surgimento desses palpites, e o encontro entre eles ocorram de modo mais intenso e natural ao mesmo tempo, lembrando então que um fator imprescindível é que haja correlação entre as pessoas gerando a troca de informações, pois, quanto maior o fluxo de informações maior e melhor a formação desses palpites que iram gerar as ideias, no caso o meio que melhor possibilita essa sistematização é a internet, ainda que esta possua sim seus defeitos como a famosa preguiça que ela gera com relação aos meios impressos, porém é onde a mensagem e informação é instantânea volumosa e muito diversificada.
            A conclusão que Johnson obteve foi, que é muito fácil ter boas e grandes idéias, basta ter uma relação de cultura, leitura e palpites e sabê-los onde, como utilizar e com quem interagir de forma com que possam surgir melhores resultados para tudo que se produz.








O vídeo “De Onde Vêm As Boas Ideias” explica de uma maneira atrativa, como alcançar bons pensamentos usando a criatividade, inovação e palpites.
Palpites que surgem por meio de conversas, trocas de informações e em momentos que não precisamos de boas idéias, mas sim quando apenas há inspiração.
O autor relata que idéias levam tempo para se tornarem úteis de fato, a natureza é que na maioria das vezes estas levem meses, anos para serem concretizadas como solução de um problema gerando melhorias, deixando claro que as idéias começam a amadurecer conforme o nível de cultura, percepção e interação com opiniões divergentes, para que se tornem cada vez melhores e mais eficazes.
Em um trecho do vídeo, Tim Bernes-Lee, é citado como um exemplo de tentativa de experiência que não deu certo no momento em que ele esperava, resolveu deixar de lado seu projeto, só então depois de anos a ideia de Tim surtiu efeito e a humanidade percebeu que esta poderia obter um resultado positivo. O autor explica que isso é comum, pois para o amadurecimento das ideias geradas pela colisão de dois palpites ou mais é necessário tempo.
Quando somos obrigados a ter ideias ou ser criativos constantemente, o resultado em boa parte, acaba sendo negativo, pelo fato de ser algo em que a pessoa se vê obrigada a fazer algo que não deseja e também por não haver um tempo de encubação correto do processo criativo.
 Há uma conclusão fácil de ser compreendida no vídeo, em que Steve Johnson explica como desenvolver e ter boas idéias sendo que as mesmas são adquiridas através de leitura e interação entre pessoas, seja ela por meio de livros ou internet, também com a maneira de analisar tudo o que está ao seu redor e interagir com pessoas e saber outras opiniões.



Por Ana Vedana, Bruna Passos, Gabriele Braga, Gustavo Tavares, Sérgio Carvalho

Fascinados


Para os fascinados, os computadores, gadgets e hábitos da era digital são ícones da modernidade. Estes produtos funcionam como um acessório, um adorno que serve para mostrar para eles mesmos e para os outros que fazem parte da era digital. Também são considerados pertencentes a este grupo quem está sempre por dentro dos grandes lançamentos e bons consumidores de novidades.
A esfera dos outros compreende as pessoas com quem você mantém seus relacionamentos afetivos, sociais e profissionais. Nos últimos anos ela foi altamente impactada pelas novas formas de comunicação e as redes sociais, e os fascinados se utilizam disso, pois dão muito valor a sua imagem e as relações. Além disto, com essas novas maneiras de se relacionar surgiu o Hiper-relacionamento, que é o impacto do digital nos relacionamentos. Isto se manifesta de diversas formas:
  1. Intensa troca entre as pessoas em tempo integral. Estar em constante contato com os outros dá a sensação de nunca estar sozinho.
  2. Risco de interações superficiais. Quantidade que nem sempre tem qualidade. Na internet você fala sozinho, você pergunta uma coisa e a pessoa responde outra.
  3. Um registro do passado que não se apaga. Nada é esquecido, seu passado é um livro aberto. Permite a você estar conectado com o que você é, com o que você já foi e com o que você já esqueceu que já foi.
  4. Valorização do pioneirismo da informação. Estar por dentro em tempo real é uma necessidade, melhor ainda é ser o portador dessa novidade.
Para o mercado da comunicação, o grande desafio com os fascinados é que eles enxergam valores para gadgets e produtos tecnológicos que extrapolam os valores originais da categoria. Por exemplo, quando um celular vira um acessório de moda. Portanto, as marcas precisam ir além do seu próprio segmento, precisam entender como elas podem oferecer este valor simbólico que os fascinados estão procurando.




Refletindo um pouco a respeito


“Para os fascinados, os computadores, gadgets e hábitos da era digital são ícones da modernidade. Estes produtos funcionam como um acessório, um adorno que serve para mostrar para eles mesmos e para os outros que fazem parte da era digital. Também são considerados pertencentes a este grupo quem está sempre por dentro dos grandes lançamentos e são bons consumidores de novidades.” Através desse trecho, percebemos que os “fascinados” não estão preocupados com a eficiência do produto propriamente dito, e sim, com a sua imagem e com o status que este irá lhe proporcionar diante das pessoas a sua volta. Este grupo procura sempre ostentar algo inovador, um produto que poucos podem ter, buscando adquirir certa exclusividade em meio à sociedade, ou seja, sendo diferentes e exclusivos, eles se destacam entre a massa e conseguem a atenção que tanto almejam. O grande agravante dessa situação é que os fascinados vivem 100% do tempo conectados com sua rede de amigos, sem a proximidade física entre eles, isto lhes dá a falsa sensação de nunca estarem sozinhos, porém, sem esta interação física a relação de amizade na internet não é íntegra, é apenas superficial. Além desta falta de contato pessoal, como uma das próprias entrevistadas comenta: “na internet a gente fala sozinho”, ou seja, você faz uma pergunta a alguém e esta pessoa nem sempre te responde ou então, te responde algo que não tem nada a ver com o a pergunta. Portanto, ao mesmo tempo em que você está conectado a várias pessoas, pode conversar sobre diversos assuntos, analisar diversas opiniões, às vezes também acaba tendo apenas um monólogo, mesmo com a participação de outras pessoas, pois elas podem ter uma contribuição insignificante, acrescentando apenas detalhes irrelevantes ao assunto que estava em pauta.
O fato de iludir-se quanto ao relacionamento com as pessoas online atinge bastante os fascinados que vivem imersos neste novo mundo da tecnologia, onde tudo acontece muito rápido. Talvez eles não percebam que estão se enganando com este tipo de relação, ou até percebam, porém são indiferentes a isso. Resta saber se esta relação é saudável ou não. Muitos afirmam que depende muito de quem está por trás de cada tela, há quem saiba aproveitar beneficamente esta tecnologia toda e, infelizmente, há também aqueles que não aprenderam a utilizar do modo correto estas novas ferramentas.



Por  Ana Luiza, Bianca Fabianowicz, Camila Mickus e Giovana Martins

Ainda mais Evoluídos


Dentro da nova pesquisa realizada pela agência DM9, existem 5 diferentes perfis que explicam o relacionamento do ser humano com a internet e as novas tecnologias .
Dentre eles, encontra-se o perfil nomeado de evoluídos.
As características atribuídas a este perfil são muito simples de se entender, já que um de seus atributos limitadores é a idade.
Esse grupo é composto pela nova geração de pessoas, as quais muitos nomeiam geração Y, e que são nascidas em um momento em que é quase impossível entender o mundo sem a presença de tecnologias como computadores, internet, widgets e ferramentas de bolso.
Para esta geração, ou seja, para os evoluídos, o entendimento sobre tempo e espaço já é muito diferente da visão de seus antecedentes.
Para eles o conceito de tempo parece ter sofrido alterações inimagináveis, como por exemplo, o seu encurtamento e ampliação ao mesmo tempo. Isso se verifica nitidamente nas frases proferidas pelos entrevistados que dentre suas citações falam coisas como: “eu costumo navegar com diversas janelas abertas, falando com meus amigos no Skype, de olho na TV, e jogando o meu game no PC”. Isso resume a ideia de ampliação do tempo, ou seja, têm-se a sensação de que mais coisas podem ser feitas durante um período de tempo determinado.
Por outro lado, que diz respeito ao encurtamento do tempo, nota-se a urgência destes jovens em adiantar tarefas e querer tudo na mão no exato momento. Eles parecem não ser muito pacientes, e se algo sai diferente do esperado, ou seja, de maneira demorada, logo sentem-se angustiados, como cita um dos entrevistados.
Outro conceito que está sendo totalmente mudado é o conceito de espaço.
As fronteiras encurtaram e agora, apesar da presença física ser importante para os antigos, ela já não faz tanta diferença para esta nova geração, já que por meio da internet elas podem tomar decisões que reduzem em muito a necessidade do deslocamento físico.
Apesar de num primeiro momento acharmos que estes jovens terão dificuldades em discernir a vida real da virtual, no final do vídeo nos deparamos com uma informação muito interessante, que julga que a vivência no mundo real aliada às ferramentas e  redes digitais, dificilmente irá formar cidadãos “engaiolados” e desinteressantes, já que a união desses dois estilos de vida dará origem à hiper-realidade, que leva a informação dos meios virtuais para um indivíduo que vive num mundo real.

Por Bruno A., Letícia F., Lucas C., Roger M. 

Ferramentados


Dentro dos perfis digigráficos se encontram os ferramentados, os quais utilizam a tecnologia apenas como um instrumento, para melhorar e tornar as atividades cotidianas mais fáceis, e convenientes. Apesar de saberem o verdadeiro valore desses dispositivos, os ferramentadados não possuem uma relação intima o bastante, com a tecnologia, para idolatrarem ela, ou ainda pensarem que ela irá dominar todos os aspectos da vida.
A relação que esse público tem com a modernidade tecnológica, atualmente transformou as relações pessoas e até mesmo dentro das instituições (família, escola, empresas, governo e imprensa), tornando-as, principalmente, mais horizontais. Dessa forma esta relação foi melhorada através da multiplicidade de informações e conexões, sendo os ferramentados a parcela, dentro dos perfis digigráficos, que mais entende a importância da tecnologia para essa mudança.
Um dos exemplos dessas relações, que se tornaram mais horizontais, é a hierarquia familiar que se modificou, sendo que, antes os pais eram os donos do conhecimento (às vezes até “absoluto”), e agora passam a ser os alunos dos filhos, os quais, por sua vez, adquirem conhecimento mais rápido (até antes de ser ensinado nas escolas), e de maneira mais íntima, profunda e interessada, visto que os assuntos procurados por estes jovens são aqueles que despertam interesses pessoais. O grande fenômeno está ainda mais evidente, a partir do momento que percebemos que os ferramentados preferem este meio interativo da internet para buscar informações, do que qualquer outro meio.
Sendo assim, a palavra que mais define corretamente os ferramentados é a eficiência, ou seja, eles buscam na tecnologia maneiras e ferramentas para tornar as atividades mais rápidas, fáceis e principalmente, mais eficientes. 









Refletindo um pouco a respeito


Os ferramentados consideram a ferramenta tecnológica importante para o dia-a-dia, tornando as atividades mais eficientes, porém não idolatram a tecnologia e nem consideram o um domínio do avanço tecnológico nos aspectos da vida. Eles sabem o real valor dessas ferramentas, e a utilizam da melhor forma.
Esta relação transformou muito o cotidiano e a convivência social, ou seja, a aquisição de informação se tornou mais rápida e íntima, que por sua vez, acarretou na “horizontalização” das relações dentro das instituições (família, escola, empresas, governo e imprensa).
Percebemos que este perfil, provavelmente, é um dos mais comuns dentro da sociedade, pois quando houve o avanço tecnológico, os equipamentos e dispositivos eletrônicos tinham (e ainda tem) o objetivo de ser uma ferramenta para ajudar no dia-a-dia. E foram os ferramentados que mais entenderam essa proposta, e utilizam da maneira “correta”, ou seja, tornando as atividades mais eficazes com a tecnologia. Porém, esse público corre um grande risco com a novas tendências, pois quanto mais eles se utilizarem das ferramentas tecnológicas, mas íntima será essa relação, então, serão menos independentes delas, podendo desta forma, os ferramentados, migrarem para um outro perfil digigráfico.

Darci, Débora, Geógia, Wagner.