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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Uma vida fast food


Desde a década de 50, quando o ritmo de vida das pessoas começou a ficar mais acelerado e as opções de refeição mais rápidas e práticas, surgiram as que hoje sãs as maiores redes de fast food do mundo.
O famoso combo sanduíche, batata frita e refrigerante conquistou o mundo e garantiu alguns kilos a mais para muitas pessoas. Hoje o número de obesos já ultrapassou o número de subnutridos no mundo, segundo o pesquisador americano Barry Popkin, da Universidade da Carolina do Norte.
Além de incentivar o consumo de alimentos nada saudáveis, as redes de fast food incentivam a cultura da pressa e impaciência.
As pessoas estão cada vez mais impacientes, e através do fast food elas podem “ganhar” tempo e sair supostamente satisfeitas e felizes. Porém esta economia de tempo é feita sem uma meta, elas economizam tempo por economizar, por impulso.
Estamos no tempo em que a maioria das coisas é fast food, não somente a comida, mas as conversas, os relacionamentos, o próprio tempo que temos livre. O grau de satisfação é, muitas vezes, medido pela quantidade e não qualidade. Quantas tarefas eu consegui cumprir hoje no trabalho, quantos e-mails eu consegui responder, e a qualidade é deixada de lado.
Com a acessibilidade da internet e a popularidade das redes sociais muitas pessoas deixam de se encontrar pessoalmente e resolvem tudo online. Com isso o relacionamento entre as pessoas fica superficial.
Um exemplo disso é a rede social Chatroulette, uma roleta humana, em que uma pessoa conversa com outra, de qualquer parte do mundo, que ela inclusive normalmente nunca viu, através de um computador com câmera e microfone. Se gerar uma interação o papo continua, se não, basta clicar em “next” e aparece outra “opção” pra conversar. Simples, superficial e fast food.
O próprio Twitter, o microblog de 140 caracteres, é outro exemplo. Com ele você passa uma mensagem curta e rápida que pode ser vista e respondida simultaneamente. Ele é sintético para você não perder tempo, como escrever um longo e-mail e ter que esperar a resposta.
Essa correria da vida moderna faz com que as pessoas não tenham tempo para se dedicar ao próximo, preferem uma “rapidinha” do que um relacionamento sério, abrem mão de uma nova amizade para ficarem em seus mundinhos particulares interagindo virtualmente com outras pessoas.
Vivemos uma contradição, queremos ter um milhão de “amigos” e seguidores, mas não queremos desperdiçar tempo com eles.

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